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‘Green rush’: a jornada do empreendedor no mercado em ascensão da Cannabis

Empreender por si só não é uma tarefa fácil, principalmente quando se trata do mercado da Cannabis. Por ter uma regulação única, as empresas que atuam neste segmento têm desafios que são bastante peculiares.

 O que não deixa de ser uma valiosa oportunidade de negócio, tendo em vista a ascensão do setor. Pelo contrário, nos últimos anos, a aposta na Cannabis finalmente entrou no radar como uma opção viável de investimento, inclusive no Brasil.

De acordo com levantamento da empresa de inteligência de mercado de Cannabis Kaya Mind, a regulamentação da planta poderia gerar 117 mil empregos e movimentar R$26,1 bilhões em quatro anos no país. O relatório – que levou em conta a regulamentação de todas as formas de consumo, seja medicinal, cânhamo e recreativo – considera, ainda, uma arrecadação de R$8 bilhões em impostos no mesmo período.

 A expectativa de crescimento do segmento é tanta que ganhou até um nome: green rush, em alusão a gold rush, ou “corrida do ouro”.

Atualmente, o mercado global de Cannabis é de US$20,5 bilhões. Até 2030, espera-se que este setor chegue a US$350 bilhões. Neste contexto, o Brasil ainda figura como o segundo maior crescimento, de acordo com a Pesquisa McKinsey Future of Wellness Survey, realizada em agosto de 2020.

Foi o estudo deste cenário favorável e lucrativo da Cannabis ao redor do mundo, que convenceu os empresários Gustavo Palhares e Guilherme Mendes a surfar nessa ‘onda verde’.

Mesmo com as restrições regulatórias da planta em território brasileiro e o cenário político desfavorável atual, os dois sócios fundaram o grupo de empresas multinacionais Ease Labs,com o propósito de transformar a forma como tratamos e promovemos a saúde por meio de soluções disruptivas, naturais e inovadoras, tendo como principal portfólio a Cannabis medicinal.

“Quando iniciamos nossa operação, só era permitida a importação direta pelo paciente, através de um burocrático processo de importação. Apesar deste processo ter apresentado melhoras, vimos muito mais escala num modelo de operação que estava para ser aprovado: o da indústria farmacêutica, mediante a formulação final e controle de qualidade em território nacional. Fomos corajosos em fazer uma aquisição de uma indústria em dezembro de 2019, quando uma semana depois foi aprovada a RDC 327, permitindo indústrias farmacêuticas a produzir produtos de cannabis e registrá-los no Brasil, nos tornando um first mover do setor”, relata Gustavo Palhares, CEO da Ease Labs.

São muitas as patologias que podem ser tratadas ou aliviadas com o uso destes produtos. Elas acometem até 18,6 milhões de brasileiros, e a quantidade de pessoas que poderiam efetivamente ser tratadas com a Cannabis medicinal totalizam 6,9 milhões de pessoas.

Com eficácia comprovada no tratamento de uma série de condições médicas, que vão de epilepsia e autismo a dores crônicas, depressão e insônia, agora a empresa busca oferecer os produtos à base de Cannabis com qualidade e acessibilidade para a população brasileira.

“A gente sabe da dificuldade e alto preço dos medicamentos oferecidos no mercado hoje. Por isso, temos o plano de gradativamente ir reduzindo o custo de produção dos nossos produtos à base de  Cannabis, e oferecê-los de forma acessível para todas as pessoas no Brasil e no mundo”, afirma Palhares.

Hoje, com mais de 4 anos de atividade, a Ease Labs se consagrou como uma das primeiras indústrias especializadas integralmente certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a produzir a espécie no Brasil.

Em 2021, receberam a certificação completa, que inclui GMP (good manufacture practices), Autorização Especial (para substâncias controladas) e Autorização de Funcionamento (AFE) para a produção, armazenagem, dispensação, importação e exportação de medicamentos e suplementos.

Para além das projeções

Na busca por oportunidades de novos negócios no mercado da Cannabis no Brasil, ainda existem algumas barreiras a serem enfrentadas. Afinal, o cenário ainda é incompreendido e desconhecido pela população brasileira, inclusive entre os players que desejam exercer papéis no setor do país.

O ramo canábico é capaz de movimentar até 23 setores diferentes, entre eles Alimentos e Bebidas; Cosméticos; Cultura; Cultivo; Educação; Empregos; Farmoquímico, Financeiros; Comércio Exterior; Marketing e Comunicação; Saúde e mais.

Mas percalços regulatórios, publicitários, políticos, logística e até mesmo de conhecimento sobre a planta são algumas das dificuldades encontradas para quem resolve empreender neste mercado, que está cada vez mais competitivo.

Mesmo com uma regulamentação considerada incompleta e insuficiente, o Brasil já reconhece o potencial terapêutico da Cannabis e autoriza a importação e o registro de produtos medicinais formulados com ela. 

Atualmente, mais de 40 mil pessoas estão autorizadas a importar produtos derivados da Cannabis medicinal no país. Segundo relatório divulgado pela BRCann com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados com maior taxa de pacientes autorizados.

Até outubro de 2021, foram trazidos ao país US$13 milhões em produtos que usam a substância. Para comparação, no mesmo período de 2020, foram US$11,5 milhões. Isso mostra que o conhecimento sobre o uso da Cannabis medicinal e seus benefícios vêm crescendo cada vez mais.

Além disso, já faz quase dois anos que as farmacêuticas puderam solicitar à Anvisa uma autorização para vender nas farmácias físicas do país (RDC 327 – aprovada em 2019, com entrada em vigor em 2020).

A tendência ainda é de um crescimento mais robusto para os próximos anos: em junho do ano passado foi aprovado o Projeto de Lei (PL) 399/2015 na Câmara dos Deputados, que busca regulamentar o plantio para fins medicinais, científicos e industriais.

A regulamentação seria economicamente importante, visto que o crescimento potencial do mercado brasileiro é estimado em R$9,5 bilhões, 434 vezes maior que as estatísticas do mercado atual, segundo a Kaya Mind.

Para a Ease Labs, Gustavo conta que para iniciar as operações do grupo, a venda via importação dos produtos direto para a casa do paciente foi primordial para a escalada da empresa. Hoje, a fábrica localizada na região da Pampulha, em Belo Horizonte, já está certificada e em produção.

“Foi essa aquisição que nos permitiu entrar no mercado e iniciarmos os procedimentos para termos nossa própria indústria. Sempre apostamos na produção direta nacional. O cultivo ainda não é permitido, é algo em discussão no Congresso Nacional e possivelmente teremos algum avanço neste sentido dentro de dois ou três anos. Para nós, uma gestão mais próxima e controle de toda a cadeia é mais interessante. Por isso, no futuro, realizaremos esse movimento de verticalização, por meio do plantio, dentro de dois ou três anos. Para nós, uma gestão mais próxima e controle de toda a cadeia é mais interessante. Por isso, no futuro, realizaremos esse movimento de verticalização, por meio do plantio, dentro ou fora do País, dependendo dos avanços regulatórios”, revela.

O modelo de negócio que a empresa, que é a primeira indústria farmacêutica especializada em produtos à base de cannabis no Brasil, adotou é o de produção em solo nacional a partir de insumos importados. Para isso, conta com duas linhas de produção com capacidade instalada para produzir 5 milhões de unidades por ano para fabricar soluções orais e mais 2,5 milhões para produtos sólidos, suficientes para suprir toda a demanda atual do Brasil.

Indústria farmacêutica Ease Labs, localizada em Belo Horizonte/Minas Gerais. (foto: Victor Schwaner)

Em janeiro deste ano, a empresa teve o seu primeiro produto Extrato de Cannabis sativa Ease Labs 79,14 mg/mL aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se de uma solução de uso oral à base de extrato de Cannabis com uma concentração de canabidiol (CBD) de 47,5 mg/mL, com até 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC).

A empresa ainda espera lançar ao mercado outros oito produtos feitos na indústria brasileira ainda no primeiro semestre de 2022. Três deles já estão em produção e terão suas análises submetidas à agência a partir do próximo mês.

“Além de trazer mais eficiência operacional e maior potencial de escala, esse modelo permitiu à Ease Labs a internalização de todo o know-how técnico-científico de desenvolvimento e produção dos canabinoides. Nosso foco agora está na preparação para as vendas, que devem ser expressivas nos próximos três anos, com o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos disruptivos no médio prazo, além da globalização do nosso negócio”, conclui.

Autor: Easelabs 

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