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Inteligência Artificial: o que as empresas líderes têm para te ensinar

Cada vez mais empresas têm integrado a inteligência artificial (IA) para melhorar as suas operações. Os resultados, claro, variam de negócio para negócio. Mas o que as empresas com melhor desempenho têm feito de diferente para colher resultados mais positivos?

Para responder a essa pergunta, a consultoria estratégica McKinsey e um grupo de estudos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) fizeram uma pesquisa com cem empresas de diversos ramos – desde o setor automotivo até a mineração. Por meio de entrevistas e leitura de dados, a ideia era entender como as empresas usavam tecnologias digitais e dados de machine learning, quais objetivos queriam alcançar e como acompanhavam esse progresso.

Classificação de Empresas por Desempenho

Após a análise de diferentes indicadores de desempenho, distribuídos em nove categorias – estratégia, foco na oportunidade, governança, implantação, parcerias, pessoas, execução de dados, orçamento e resultados — as empresas foram divididas em quatro grupos: líderes, planejadores, executores e organizações emergentes. Com isso, foi possível identificar as relações entre as ações e os investimentos realizados, com resultados tangíveis e sustentáveis.

A resposta? Qualquer empresa com a ambição de lucrar com tecnologias digitais avançadas têm a oportunidade de aprender com as melhores práticas. No entanto, para utilizar IA com benefícios reais para o seu negócio, alavancando tantos dados e análises, um único movimento ousado não é suficiente. É essencial delinear ações coordenadas para o sucesso da empreitada. A verdade é que nem todas as empresas precisam focar em serem líderes imediatamente. Pelo contrário, elas devem se esforçar para subir de nível de acordo com a sua realidade, sem pressa.

Características das Empresas Líderes

De acordo com a pesquisa, as empresas líderes têm o melhor desempenho e representam cerca de 15% do total analisado. Por investirem no tipo certo de IA, elas alcançaram os melhores ganhos em tecnologia por serem mais propensas a criarem processos bem definidos para a avaliação e implementação da inovação digital. Outra vantagem é a facilidade que essas empresas apresentam em seguir o processo e atualizá-lo regularmente. Como resultado, elas alcançaram melhorias significativamente maiores do que o restante da amostra em quase a totalidade dos indicadores de desempenho.

Já a categoria de empresas planejadoras compreende cerca de 25% da amostra. Em geral, esse grupo apresenta fortes habilidades pessoais e experiência considerável na execução de dados. Porém, enquanto alguns planejadores apontam implementações bem-sucedidas, outros não conseguem decifrar a receita que indica quais são as conjunturas mais vantajosas. Os executores, por sua vez, integram aproximadamente um terço dos entrevistados e criam parcerias com outras empresas para criar soluções específicas e direcionadas às oportunidades mais promissoras. Essas empresas são orientadas para resultados e atingiram ganhos significativos, mesmo com uma infraestrutura menor.

Por fim, as empresas emergentes, cerca de um quarto da amostra, têm o menor nível de maturidade e obtiveram os menores ganhos – muitas ainda estão começando a transição para o digital. Enquanto algumas empresas relataram sucesso moderado em alguns casos, outras ainda encontram dificuldades na fase inicial de decisão de investimento.

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Como entender o estágio da sua empresa

Em geral, as empresas que tiveram sucesso na implantação de tecnologias digitais avançadas fizeram uma avaliação honesta de onde estavam, considerando nove indicadores de desempenho. Por isso, conseguiram formar uma visão mais clara de onde queriam chegar em um futuro próximo. Ao mesmo tempo, elas também identificaram alguns casos promissores para obter ganhos rápidos, que tinham foco em cinco áreas.

Governança

A inteligência artificial é uma prioridade estratégica para empresas líderes e muitas delas construíram setores dedicados ao apoio dessa implementação. Quando centralizado, esse suporte também ajuda a manter os programas digitais sob controle e documenta o progresso de maneira adequada.

Nesses casos, os líderes são muito mais propensos a ter um processo definido para a avaliação e implementação da inovação digital. No entanto, reconhecem que as mudanças são inevitáveis e o contexto é de rápida evolução. Por isso, se mantêm preparados para refinar e aprimorar continuamente seus métodos.

Implementação

As organizações líderes aplicam a IA de forma mais ampla e sofisticada. Como exemplo, várias empresas da amostra implementaram processos de previsão, otimização, logística e transporte.

Embora aplicativos como esses possam ter um impacto tremendo, essas empresas também percebem que qualquer impacto de longo prazo requer o uso de várias alavancas em conjunto e que a ampla implantação, em toda a empresa, é fundamental.

Parcerias

As parcerias são comuns entre startups, fornecedores de tecnologia e consultores externos. Os líderes, no entanto, trabalham com uma gama mais ampla de parceiros, com mais intensidade, para maximizar a velocidade e o aprendizado.

A Colgate e a Palmolive, por exemplo, trabalham com um fornecedor de sistemas, a Augury, na implantação de diagnósticos de integridade de máquinas em suas linhas de produção. Essa análise prévia garante que a empresa não precise interromper a produção casa haja algum erro de sistema.

No estudo, todas as empresas líderes, apesar da sua alta capacidade de produção, dependiam de parceiros externos para acelerar ainda mais o seu aprendizado e tempo de entrega de produtos.

Pessoas

As empresas líderes tomam medidas para garantir que o maior número possível de partes interessadas tenha as habilidades e os recursos necessários para empregar abordagens digitais avançadas, em vez de manter essa experiência reservada aos especialistas. Mais da metade treina o seu pessoal nos fundamentos da tecnologia escolhida, em contraste com os 4% das empresas dos outros grupos. 

O McDonald’s, por exemplo, usa o machine learning para otimizar uma ampla gama de tarefas operacionais, como embalar os alimentos. A empresa adotou uma abordagem híbrida para fazer isso: seu centro corporativo testa e desenvolve novas técnicas de embalar, o que ajuda os membros da equipe em campo a entender a importância dessas informações para melhorar o processo.

Nas empresas líderes, ficou claro que o uso de dados e análises são incorporados nas operações. Por isso, não faz sentido manter as informações isoladas e restritas a alguns funcionários.

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Disponibilidade de dados

Empresas líderes tornam os dados acessíveis. Todos os líderes da pesquisa dão acesso de dados aos funcionários da linha de frente e adquirem informações de clientes e fornecedores, compartilhando-as internamente. Em suma, a democratização dos dados é um aspecto crítico para o uso eficaz da análise.

Em posse dessas informações, a pesquisa concluiu que as cinco áreas — governança, implantação, parcerias, pessoas e dados — eram mais eficazes quando integradas a um manual, muitas vezes coordenado por um centro de excelência. De qualquer forma, as empresas precisam de uma avaliação honesta de seu ponto de partida nas nove dimensões citadas anteriormente.

A partir daí, um plano de transição pode começar a tomar forma. Mesmo que seja difícil, ele atribui metas realistas de médio prazo que levam em conta as barreiras à mudança – aquisição de talentos, capacidade de investimento e infraestrutura crítica, entre outros. Embora a ambição possa ser ilimitada, as etapas intermediárias não podem ser ignorada. A maioria dos líderes começou o processo usando dados e ferramentas simples para a tomada de decisão. À medida que construíam maturidade e familiaridade com seus dados, passavam a empregar técnicas mais avançadas.

Apesar dos avanços recentes e significativos em inteligência artificial, a escala total dessa oportunidade está apenas começando a se desdobrar. Essa informação nos leva a uma diferença importante entre as empresas líderes e as demais: investimento. Enquanto os líderes gastam de 30% a 60% a mais e esperam aumentar suas receitas entre 10 e 15%, as outras empresas relatam pouco aumento de faturamento. Logo, dependendo do ponto de partida, o caminho de cada empresa será diferente. Mas em termos do que realmente funciona, os líderes já mostram o melhor caminho a ser traçado. 

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