A Reforma Tributária começou e já influencia decisões estratégicas das empresas brasileiras. Mesmo com a cobrança plena dos novos tributos ocorrendo de forma gradual, o período de transição já está em curso e exige ajustes imediatos em sistemas, processos e gestão financeira.
Diante desse cenário, ignorar esse movimento agora significa assumir riscos silenciosos, que costumam aparecer apenas quando o impacto financeiro já é relevante. Por isso, entender o que muda na prática com a Reforma Tributária tornou-se essencial para preservar margens, evitar falhas operacionais e manter previsibilidade.
A Reforma Tributária inaugura um período de transição complexa
O sistema tributário brasileiro sempre figurou entre os mais complexos do mundo. Durante décadas, empresas conviveram com múltiplos tributos sobre o consumo, regras fragmentadas entre entes federativos e alto nível de insegurança jurídica.
Esse cenário começou a mudar com a Emenda Constitucional nº 132/2023, que estabeleceu as bases da Reforma Tributária. Na sequência, a Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou o novo modelo, detalhando a criação do IBS, da CBS, do Imposto Seletivo e do cronograma de transição até 2033.
Na prática, o sistema antigo continua vigente, mas já convive com o novo desenho tributário. Ou seja, muitas empresas estão começando a operar sob dois modelos simultâneos, o que eleva a complexidade operacional e exige atenção desde já.
Como a Reforma Tributária afeta a gestão e o caixa das empresas
Os impactos da Reforma Tributária vão além da teoria jurídica. Eles atingem diretamente o financeiro, a operação e a competitividade das empresas.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, mais de 75% do PIB brasileiro está envolvido em disputas tributárias. Além disso, um processo fiscal pode levar anos até uma solução definitiva. Em empresas com alto volume de operações, múltiplos contratos e centros de custo, esse cenário representa risco financeiro relevante. Na prática, isso significa que o risco deixa de ser apenas teórico e passa a impactar o dia a dia da gestão.
Embora a Reforma Tributária busque simplificação no longo prazo, o período de transição aumenta a exposição a:
- erros de parametrização de sistemas;
- falhas no aproveitamento de créditos;
- impactos inesperados no fluxo de caixa;
- distorções na precificação.
Por isso, preparar a empresa agora reduz riscos e evita decisões reativas no futuro.
🔗Confira aqui o Sumário do Contencioso Tributário, publicado pelo Conselho Nacional de Justiça.
O que muda na prática com a Reforma Tributária
A Reforma Tributária substitui cinco tributos sobre o consumo por um modelo de IVA dual, alinhado às práticas internacionais.
O novo sistema será composto por:
- CBS, de competência federal, que substitui PIS e COFINS;
- IBS, de competência compartilhada entre estados e municípios, que substitui ICMS e ISS.
Esse modelo elimina a cobrança em cascata e reduz distorções históricas, como a guerra fiscal. Ainda assim, a transição exige testes, ajustes e acompanhamento constante.
Além disso, em dezembro de 2025, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025, que detalha as obrigações acessórias exigíveis para IBS e CBS no ano de 2026. O normativo confirmou que, durante o primeiro ano da transição, a apuração do IBS e da CBS terá caráter meramente informativo, sem efeitos arrecadatórios, desde que sejam cumpridas as regras de emissão e registro dos documentos fiscais eletrônicos previstos na legislação.
O erro mais comum das empresas diante da Reforma Tributária
O erro mais frequente tem sido tratar a Reforma Tributária como algo distante.
Muitas empresas acreditam que só precisam agir quando os novos tributos entrarem plenamente em vigor. No entanto, o período de transição é justamente o momento de maior risco operacional.
Quem deixa tudo para depois costuma enfrentar:
- retrabalho em sistemas;
- correções sob pressão;
- impactos diretos no caixa;
- maior exposição fiscal.
Riscos reais de não se adaptar desde agora à Reforma Tributária
Adiar a preparação pode gerar consequências práticas relevantes, como parametrização incorreta de ERPs e sistemas fiscais, inconsistências na emissão de documentos fiscais eletrônicos, falhas no correto registro das informações exigidas para IBS e CBS, perda ou glosa de créditos tributários, aumento involuntário da carga efetiva, impactos negativos no fluxo de caixa e maior risco de autuações.
Esses problemas raramente surgem de forma imediata. Eles se acumulam ao longo do tempo e aparecem quando a margem de correção já é limitada.
Como preparar sua empresa hoje para a Reforma Tributária
A adaptação à Reforma Tributária pode e deve começar agora.
Primeiro, é fundamental mapear como o novo modelo impacta as operações, especialmente compras, vendas e contratos. Em seguida, os sistemas de gestão e emissão fiscal precisam estar preparados para novas regras de destaque, apuração e controle.
Além disso, políticas de precificação, contratos e rotinas financeiras devem ser revisadas, já que a transparência tributária muda a lógica de repasse de custos. Por fim, uma governança fiscal contínua reduz riscos e aumenta previsibilidade.
Base legal da Reforma Tributária
A Reforma Tributária do consumo está fundamentada principalmente em:
- Emenda Constitucional nº 132/2023;
- Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo;
- PLP nº 108/2024, que trata da governança e da gestão do IBS.
- Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025, que define as obrigações acessórias e os documentos fiscais eletrônicos exigidos para IBS e CBS no ano de 2026.
Esses diplomas estruturam a transição do sistema tributário brasileiro até 2033.
Conclusão: antecipar é uma vantagem competitiva
A Reforma Tributária já começou e representa uma mudança estrutural na forma de operar, planejar e crescer no Brasil.
Empresas que se antecipam transformam incerteza em vantagem competitiva. Elas reduzem riscos, organizam processos e tomam decisões financeiras com mais segurança em um ambiente cada vez mais exigente.
Se você quer entender como a Reforma Tributária impacta, na prática, a gestão e o financeiro da sua empresa, fale com nossos especialistas e prepare sua operação para a transição com clareza, previsibilidade e estratégia.
🔎 Observação institucional
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