Como evitar erros de faturamento com IBS e CBS

Os erros de faturamento com IBS e CBS tendem a se concentrar logo no início da transição da Reforma Tributária, especialmente no ano de 2026, quando a apuração terá caráter informativo, mas as obrigações acessórias já serão exigidas. Mesmo antes do recolhimento pleno dos novos tributos, a exigência de informações corretas nos documentos fiscais já cria um novo nível de risco operacional para as empresas.

Ignorar essa fase inicial pode gerar rejeições técnicas na emissão de notas, gerar inconsistências fiscais e comprometer o fluxo de caixa. Por isso, entender o que muda e como evitar erros desde agora é essencial para atravessar a transição com segurança e manter a operação funcionando.

O problema silencioso que surge com o IBS e a CBS

A chegada do IBS e da CBS inaugura uma nova lógica de faturamento no Brasil. A partir de 2026, conforme previsto no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025, as empresas passam a conviver com novos campos, regras de destaque e informações obrigatórias nas notas fiscais, ainda que, nesse período, a apuração dos tributos seja meramente informativa, conforme definido pela legislação.

O problema é que muitos ERPs, cadastros fiscais e rotinas operacionais não estão preparados para essa mudança. Além disso, em janeiro, quando o volume de operações cresce após o fechamento do ano, pequenos erros tendem a se multiplicar.

Nesse contexto, o maior risco não está no imposto em si, mas na qualidade da informação fiscal registrada nos documentos eletrônicos, que sustenta toda a cadeia de apuração futura.

O impacto real dos erros de faturamento na empresa

Erros fiscais não são apenas contábeis. Eles impactam a operação.

Uma nota fiscal emitida com erro pode:

  • travar o faturamento;
  • atrasar entregas e contratos;
  • gerar divergências com clientes e fornecedores;
  • comprometer o aproveitamento futuro de créditos;
  • aumentar o risco de autuações e retrabalho.

Além disso, o novo modelo de tributação, combinado com mecanismos como a tributação no destino e o futuro split payment, reduz drasticamente a margem para correções posteriores. Ou seja, o erro deixa de ser apenas declaratório e passa a afetar o caixa e a previsibilidade financeira.

O que muda no faturamento com IBS e CBS

O IBS e a CBS fazem parte do novo modelo de IVA Dual, criado pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado por leis complementares.

Na prática, isso significa:

  • obrigatoriedade de emissão de documentos fiscais eletrônicos compatíveis com o IBS e a CBS;
  • novos campos específicos para registro das informações dos tributos;
  • padronização nacional das regras;
  • maior integração entre sistemas fiscais e o Fisco.

O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025 detalha quais documentos fiscais eletrônicos serão recepcionados para fins de IBS e CBS em 2026, como NF-e, NFC-e, NFS-e, CT-e, MDF-e, entre outros, além de instituir novos documentos fiscais eletrônicos.

Uma boa analogia é pensar no faturamento como o painel de um avião. Antes, cada estado tinha seus próprios indicadores. Agora, o painel passa a ser único. Qualquer inconsistência na informação pode gerar alertas sistêmicos e impedir a continuidade da operação.

O erro mais frequente das empresas neste momento

O erro mais frequente é tratar o início da transição como um “período sem efeito”.

Muitas empresas acreditam que, como não haverá recolhimento efetivo de IBS e CBS em 2026, não precisam se preocupar agora. Entretanto, esse raciocínio ignora que as obrigações acessórias são exigíveis desde o início da transição, ainda que sem efeitos financeiros imediatos.

Entre os erros mais comuns estão:

  • não atualizar o ERP;
  • manter cadastros fiscais desatualizados;
  • não testar a emissão de notas com os novos campos;
  • confiar que o sistema “vai se ajustar sozinho”.

Na prática, os primeiros meses da transição acabam virando um laboratório improvisado, e caro.

Os riscos práticos de errar no faturamento com IBS e CBS

Não se adaptar desde já aumenta riscos como:

  • rejeição de notas fiscais;
  • paralisação do faturamento;
  • inconsistências entre documentos e escrituração;
  • dificuldade futura no aproveitamento de créditos;
  • retrabalho operacional;
  • maior exposição a fiscalizações.

Ainda que o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025 preveja um período inicial sem aplicação de penalidades pelo preenchimento dos campos de IBS e CBS, os impactos operacionais e financeiros decorrentes de erros no faturamento continuam sendo relevantes desde o início da transição.

Como evitar erros de faturamento com IBS e CBS na prática

A boa notícia é que a maioria dos erros podem ser evitados com organização e antecipação. Algumas ações são essenciais:

  • Revisar o ERP:
    Antes de tudo, confirme com o fornecedor se os campos de IBS e CBS já estão disponíveis e se os leiautes estão atualizados.
  • Testar a emissão de notas:
    Além disso, simule operações reais para identificar rejeições e inconsistências antes do aumento do volume.
  • Atualizar cadastros fiscais:

Revise produtos, clientes, fornecedores e naturezas de operação para evitar erros de origem.

  • Treinar a equipe:
    Faturamento, fiscal e comercial precisam entender o que muda e como registrar corretamente as informações.
  • Criar rotina de monitoramento:
    Por fim, acompanhe atos normativos e atualizações técnicas de forma contínua.

Preparação é vantagem competitiva

Empresas que tratam o início de 2026 como um período de teste controlado reduzem riscos ao longo de todo o ano. Por outro lado, quem ignora essa fase tende a aprender sob pressão, quando o custo do erro é maior.

Faturar corretamente não é apenas cumprir uma regra. É proteger o caixa, a operação e a capacidade de crescer com previsibilidade.

Antecipar erros no faturamento é proteger a operação na transição tributária

Os erros de faturamento com IBS e CBS não são um problema futuro. Eles começam no primeiro dia da transição.

Os primeiros meses do ano serão decisivos para testar sistemas, ajustar processos e garantir que a empresa atravesse a Reforma Tributária sem travar a operação. Quem se antecipa transforma a transição em controle, segurança e vantagem competitiva.

Enquanto você cuida da estratégia e do crescimento do seu negócio, a BHub cuida do faturamento, da contabilidade e da governança operacional que não pode interromper sua operação.
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Base legal da Reforma Tributária

A Reforma Tributária do consumo está fundamentada principalmente em:

Esses diplomas estruturam a transição do sistema tributário brasileiro até 2033.

🔎 Observação institucional

Este conteúdo reflete o entendimento da legislação vigente no momento da publicação e pode sofrer alterações. Em caso de dúvidas, procure um profissional contábil de sua confiança ou fale com nossos especialistas.

Autor: Débora Oliveira

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