A Reforma Tributária já está em vigor, e para empresas no Lucro Real, o momento exige análise, planejamento e ação, porque as mudanças que estão chegando afetam diretamente a forma como sua empresa apura tributos, precifica produtos e gerencia contratos.
Atualmente, esse regime já concentra algumas das obrigações tributárias mais complexas do Brasil. Com a Reforma, essa complexidade não desaparece, porém muda. E o período de transição, que vai de 2026 a 2032, exige que sua empresa opere com dois sistemas tributários ao mesmo tempo.
Neste artigo, explicamos o que muda na prática, quais são os pontos de maior atenção e o que sua empresa pode começar a fazer agora.
O que é a Reforma Tributária, em resumo
Em 2023, o Brasil aprovou uma das mudanças mais significativas do seu sistema fiscal em décadas. A Reforma Tributária substitui cinco tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Além deles, passa a existir o IS (Imposto Seletivo), voltado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A transição, no entanto, não acontece de uma vez. O período de convivência entre o sistema atual e o novo vai de 2026 a 2032, com o encerramento completo do modelo antigo previsto para 2033. Isso significa que o impacto chega gradualmente. Tendo isso em vista, as decisões tomadas hoje têm grande peso estratégico.
Para entender o cenário completo, vale conferir nosso guia completo da Reforma Tributária.
Por que a Reforma Tributária no Lucro Real exige atenção especial
Empresas no Lucro Real costumam ter maior volume de operações, mais fornecedores, mais produtos e, consequentemente, mais variáveis envolvidas na transição. Além disso, são elas que mais utilizam o regime não cumulativo de PIS e Cofins, que representa a parte do sistema que vai mudar com mais profundidade.
O resultado é uma combinação desafiadora: o Lucro Real é o regime que mais tem a ganhar com a Reforma, graças à ampliação do sistema de créditos. Mas também é o que mais tem a perder se a transição for conduzida sem planejamento.
A seguir, veja os principais pontos que merecem atenção.
5 pontos críticos da Reforma Tributária para empresas no Lucro Real
1. Aproveitamento de créditos
No sistema atual, aproveitar créditos de PIS e Cofins no regime não cumulativo é uma tarefa que exige controle rigoroso. Com o IBS e a CBS, a lógica muda: em teoria, qualquer insumo usado na cadeia produtiva passa a gerar crédito, o que representa uma oportunidade relevante para empresas no Lucro Real.
O desafio, porém, está no período de transição. Durante anos, sua empresa precisará controlar créditos de dois sistemas simultaneamente, com regras que coexistem e nem sempre se alinham. Sem estrutura para isso, o risco é perder créditos a que se tem direito ou, em sentido contrário, registrar créditos indevidos e responder por isso no futuro.
2. Revisão de precificação
A carga tributária efetiva pode mudar para cima ou para baixo dependendo do setor, do perfil de fornecedores e do destino das vendas. Empresas que não revisarem sua precificação ao longo da transição correm o risco de trabalhar com margens distorcidas e, em segmentos mais competitivos, esse tipo de erro compromete o posicionamento no mercado.
3. Operações interestaduais
O ICMS sempre foi um ponto sensível para quem opera em múltiplos estados. Com a unificação no IBS, a tributação passa a ser no destino e não mais na origem. Essa mudança altera a dinâmica de competição entre empresas de diferentes localizações e pode impactar diretamente o planejamento logístico e comercial.
4. Contratos de longo prazo
Contratos fechados com base na carga tributária atual podem não refletir a realidade que se desenha para os próximos anos. A transição tem potencial de alterar o custo real das operações, e acordos que não previram esse cenário podem se tornar deficitários ao longo do tempo. Vale lembrar que o impacto da Reforma também se estende ao capital de giro. Entenda como IBS e CBS afetam o fluxo de caixa das empresas.
5. Benefícios fiscais e regimes especiais
Vários benefícios fiscais estaduais e federais têm prazo de validade dentro da Reforma. Entender quais deles afetam a operação da sua empresa e quando expiram é parte essencial do planejamento tributário. Quem depende de incentivos fiscais para manter a competitividade precisa saber exatamente até quando esses benefícios existem e o que muda depois.
O que acontece durante a transição (2026–2032)
Durante sete anos, sua empresa vai operar com dois sistemas tributários em paralelo. Na prática, isso envolve emitir documentos fiscais contemplando os dois modelos, manter controles separados para créditos de tributos antigos e novos, lidar com fornecedores em estágios diferentes de adaptação e garantir que os sistemas de ERP e gestão fiscal estejam atualizados conforme as novas exigências.
Vale destacar que, segundo dados da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), mais de 80% das empresas no Lucro Real e no Lucro Presumido ainda não finalizaram as parametrizações necessárias nos sistemas de NF-e para atender às exigências em vigor desde janeiro de 2026. A maior parte do mercado ainda está atrasada e isso pode trazer consequências na exposição a riscos fiscais.
O que fazer agora: planejamento tributário para o Lucro Real
A Reforma Tributária não é um problema de 2033. As decisões tomadas hoje sobre precificação, contratos e estrutura operacional vão determinar o tamanho do impacto que a transição terá no seu negócio. Por isso, algumas ações já deveriam estar em andamento.
O primeiro passo é mapear a carga tributária atual e simular o cenário pós-Reforma. Sem esse diagnóstico, qualquer decisão se apoia em premissas que podem não se confirmar. Em paralelo, é importante revisar contratos de longo prazo com cláusulas tributárias – especialmente aqueles fechados antes de 2023, que provavelmente não contemplam o novo cenário.
Também faz parte desse processo avaliar o impacto nos créditos de PIS/Cofins e a equivalência no novo sistema, verificar benefícios fiscais vigentes e seus prazos de encerramento, e garantir que o ERP e os sistemas de gestão fiscal estejam sendo atualizados. A parametrização correta dos novos tributos já é obrigatória para emissão de NF-e e empresas que ainda não concluíram esse processo estão expostas a riscos.
Prepare sua empresa antes que a transição chegue até você
A Reforma Tributária já começou. Quanto antes sua empresa mapear os impactos, mais tempo terá para tomar decisões estratégicas. A BHub tem um time pronto para analisar esse impacto no seu negócio. Garanta que a contabilidade da sua empresa estará correta.
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