Reforma Tributária e Lucro Presumido: o que muda na prática para a sua empresa

Se sua empresa está no Lucro Presumido, a Reforma Tributária também vai impactar a sua operação. As mudanças têm características diferentes das que afetam o Lucro Real, mas isso não significa que podem ser deixadas para depois. Dependendo do setor e do perfil das operações, o impacto pode ser relevante – tanto na carga tributária quanto na forma de apurar e controlar impostos.

Neste artigo, explicamos o que a reforma tributária no Lucro Presumido muda na prática, quais os pontos que merecem mais atenção e o que sua empresa já pode começar a fazer.

O que é a Reforma Tributária, em resumo

A Reforma aprovada em 2023 substitui cinco tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Além deles, entra em cena o IS (Imposto Seletivo), voltado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A transição é gradual. O período de convivência entre o sistema atual e o novo vai de 2026 a 2032, com o encerramento completo do modelo antigo previsto para 2033. Para entender o cenário com mais profundidade, vale conferir nosso guia completo da Reforma Tributária.

O que a reforma tributária no Lucro Presumido muda na prática

A lógica de apuração muda

No Lucro Presumido, as empresas recolhem PIS e Cofins no regime cumulativo, sem aproveitar créditos. Com a chegada da CBS, essa lógica se altera: a nova contribuição adota a não cumulatividade por padrão, o que permite que as empresas aproveitem créditos em toda a cadeia produtiva – ou seja, para PIS e COFINS, não haverá mais diferença entre uma empresa que opta pelo Lucro Real e a que opta pelo Lucro Presumido

Para muitas empresas, essa mudança parece positiva à primeira vista. Na prática, porém, ela exige que os processos de controle fiscal se adaptem – e o que hoje funciona de forma mais simples passa a exigir mais estrutura de registro e acompanhamento.

A carga tributária pode mudar

As alíquotas combinadas de IBS e CBS vão variar por setor. Para algumas atividades, a carga total tende a cair. Para outras, pode subir. Por isso, não é possível assumir que a situação atual vai se manter ao longo da transição – cada empresa precisa simular seu próprio cenário.

Empresas de serviços merecem atenção especial nesse sentido. Hoje, muitos serviços recolhem ISS com alíquotas que variam de 2% a 5% dependendo do município. Com o IBS, a tributação passa a ocorrer no destino e com alíquotas unificadas, o que pode representar um aumento relevante de carga para determinadas atividades.

Operações com outros estados

O ICMS sempre gerou complexidade para empresas que vendem entre estados. Com a unificação no IBS e a adoção da tributação no destino, essa dinâmica se transforma. Por isso, para quem opera em múltiplos estados, entender como essa mudança afeta preços, margens e competitividade é parte essencial do planejamento para os próximos anos.

Benefícios fiscais têm prazo

Se sua empresa usufrui de algum benefício fiscal estadual ou federal, vale verificar se ele tem prazo de encerramento dentro do calendário da Reforma. Afinal, muitos incentivos existentes serão extintos ao longo da transição – e quem depende deles para manter a competitividade precisa antecipar esse cenário no planejamento.

O que acontece durante a transição (2026-2032)

Entre 2026 e 2032, sua empresa vai conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo. Para quem está no Lucro Presumido, isso significa emitir documentos fiscais contemplando os tributos antigos e os novos, adaptar os sistemas de gestão para lidar com as duas lógicas simultaneamente, monitorar as alíquotas do IBS que estados e municípios vão definindo progressivamente, e revisar a precificação à medida que a carga efetiva for se alterando.

Além disso, vale lembrar que esse processo também afeta o capital de giro da empresa. Entenda como IBS e CBS impactam o fluxo de caixa das empresas durante a transição.

O que fazer agora: planejamento tributário para o Lucro Presumido

A Reforma ainda está em fase de regulamentação em alguns aspectos, mas aguardar para agir é um erro. Decisões de precificação, estrutura operacional e revisão de contratos precisam de antecedência – porque os efeitos da transição chegam antes de 2033.

O primeiro passo é calcular a carga tributária atual sobre as principais operações da empresa e simular como ela se comporta com a nova estrutura de IBS e CBS. Em paralelo, a empresa deve verificar se há benefícios fiscais vigentes com prazo de encerramento, avaliar contratos com clientes e fornecedores que a mudança de carga pode afetar, e garantir que o sistema de gestão fiscal já está se preparando para operar com os dois modelos ao mesmo tempo.

Prepare sua empresa antes que a transição chegue até você

A Reforma Tributária já está em curso. Quanto antes sua empresa mapear os impactos específicos para o Lucro Presumido, mais tempo terá para tomar decisões estratégicas com segurança – em vez de reagir às mudanças quando elas já estiverem afetando resultado e margem.

A BHub tem um time especializado em Reforma Tributária pronto para analisar o impacto no seu negócio: da simulação de carga tributária à revisão de contratos e adequação de sistemas.

Fale com um especialista da BHub e entenda o que muda para a sua empresa.

🔎 Observação institucional

Este conteúdo reflete o entendimento da legislação vigente no momento da publicação e pode sofrer alterações. Portanto, em caso de dúvidas, procure um profissional contábil de sua confiança ou fale com nossos especialistas.

Autor: Patricia Caparra

Compartilhe esse conteúdo

Compartilhe esse conteúdo.

Reforma Tributária e Lucro Presumido: o que muda na prática para a sua empresa.

Reforma Tributária e Lucro Real: o que muda na prática para a sua empresa.

Sua empresa precisa de BPO financeiro? Faça este diagnóstico.